Escalando em Andradas: Vá pra cima, e não caia!

01 e 02 de setembro de 2007

Relato by Rex, aluno do Curso Básico de Montanhismo 2º semestre 2007.


As saídas anteriores para o Itaguaré (excursionismo) e PETAR (espeleologia) foram beeeemmmmm legais, mas o que eu queria mesmo era subir pelas paredes! Nas aulas já havíamos aprendido a fazer os nós, a parada, a comunicação, a segurança, etc. e na 90 Graus pudemos praticar um pouco. Mas agora quem nos esperava era a Pedra do Pântano em Andradas, no sudoeste do estado de Minas Gerais. Finalmente a rocha! A Pedra do Pântano (ou Pantâno, pelo que vi, é chamada das duas maneiras) é uma formação de granito, tem aproximadamente 200 metros de altura e pelo que também percebi, atrai muitos escaladores pra lá.

Depois de uma pequena aventura pra encontrar o abrigo (sim, resolvemos seguir a planilha, ó céus… hehehe), eu, Bia e Marco Fábio chegamos no local por volta da meia-noite de sexta-feira. Alguns já estavam lá e outros foram chegando e já ocupando seu lugar numa cama (de preferência vazia). A noite estava ótima, e dormimos escutando o som da natureza: vento balançando algumas folhas, grilos cantando, ursos roncando… Sábado, logo de manhã, alguém inspirado (nem vi direito quem foi, mas acho que era o Wagner) tocou uma buzina pra acordar o pessoal. Alguns já estavam arcodando, outros xingaram até a vó do fabricante da buzina (e talvez a vó do cara que leveou ela pro abrigo) mas de um jeito ou de outro, logo estávamos todos à mesa apreciando o café da manhã. Em seguida era só pegar a mochila e se mandar.

Caminhamos quase nada pela estrada de terra e logo depois pegamos uma trilha legalzinha até chegar ao nosso local de atividades, a base do Campo Escola na Face Oeste.

Colocamos os equipos e recebemos as instruções dos guias. Em seguida, o honorável Presidente e o Wagner subiram até um platozinho e armaram as paradas.

O dia estava maravilhoso! Céu azul, brisa agradável, e o sol queimando. Coitado dos nossos guias do alto, tostaram. Ali por baixo a gente até conseguia se esconder numas sombras. Utilizamos as vias “Não Pise na Grama” e “Sabão Café”. Pois bem, passamos o dia nessa parede, um aluno por vez subia de top rope, chegava até o guia e recebia instruções, fazia exercícios, montava as paradas, puxava corda, montava o rapel, era questionado e obrigado a pensar sozinho, ali, pendurado na parede, sentindo na real qual era o movimento. O melhor era ver o Robles falando: “Vou te dar duas dicas: vá pra cima, e não caia!” heheeee. Foi um dia muito útil, interessante e divertido! Sim divertido! Uma das coisas que achei bem legal desde a primeira saída é que brincadeiras acontecem a todo momento, mas são na hora certa. Porque na hora de falar sério é serio. Na hora de colocar sua vida em risco, tudo tem que ser certinho, perfeito, sério, seguro. E assim foi. Acredito que todos puderam aproveitar e usufruir destes momentoa o máximo possível. Alguns tiveram mais dificuldades pra subir a rocha, a galera e os guias sempre deram uma baita força!

Além dessa atividade, também tivemos que praticar ascenção por corda, utilizando o famoso nó prussik.

Foi colocada uma corda numa árvore logo abaixo de onde estávamos, então o pessoal ficava revezando, enquanto uns escalavam e faziam as atividades nas vias, outros subiam e desciam pela corda pendurada. Ali também alguns tiveram mais dificuldades e a galera dava uma força, ficava dando dicas e tentando ajudar de todas as formas, mas sempre fazendo com que a própria pessoa percebesse e entendesse como e o quê precisava fazer para conseguir atingir o objetivo. Foi realmente um aprendizado grande. Depois de terminada a atividade, descemos já de noite para o abrigo.

Banho rápido e bora pra cidade matar a fome. Nossa!! A mesa era imensa (claro né, uma galera grande) e os pratos também eram imensos, hahaha, principalmente o do Rodrigo. Todo mundo se empanturrou de coisas, inclusive com o torresmo cabeludo (que nem estava tão cabeludo dessa vez, segundo o Wagner) até dizer chega! Na verdade, ainda tinha espaço pra um sorvete (ou vários). Foi um final de dia muito divertido também. Claro que pra alguns que tiveram que enfrentar a fila do banheiro depois não deve ter sido tão divertido hehe, mas nada que umas duas horinhas como um rei não resolva tudo! E assim findou-se o primeiro dia, com todo mundo pregado dormindo como bebês… acho que nem os ursos incomodaram muito nessa noite.

Domingo, mais um belo dia de sol e céu azul, a alvorada desta vez foi sem buzina. Os que dormiram, estavam bem dispostos (sim, esqueci de falar: alguns ficaram na farra até um pouquinho mais tarde hehe) e os que não dormiram tanto, também tinham que estar, afinal, era o grande dia das escaladas! Café da manhã, mochilas, equipos e lá vamos nós. Dessa vez de carro até uma parte, e depois um caminho mais curto que o do dia anterior pra chegar até a base das vias, ainda na Face Oeste. Eram elas: “Mugido da Vaca Louca”, “‘Urubu na Nóia”, “Mundo Invisível”, “Mística”, “Irmã Lua” e “A Hora da Cigarra”.

Passamos o dia praticando o que aprendemos, escalando e fazendo segurança. Alguns subiram para o local onde praticamos sábado pra terminar ou refazer algumas escaladas e aprendizados por lá. Nesse dia pude observar bastante também, como os guias procedem, o que fazem, como fazem, etc. Rolou o tradicional lanche-almoço com alguns agrados e quitutes para os famintos guias também. O Wagner até armou uma rede no final. E assim foi passando o segundo dia. Mas a melhor hora ainda estava por vir.

Na parte da tarde, tivemos um exercício de guiar simulado, e a primeira a fazer foi a Bia. Ela mandou muito bem, apesar da sapatilha não colaborar. E eu olhando de baixo, imaginei: “Poxa legal, não deve ser tão diferente de subir com top rope.” Mas quando chegou a minha vezzzzzzzzzzz, nossa!!! Muito louco! Muita adrenalina! Muito bom!! Claro que ali estávamos com a segurança de cima, mas a idéia é como se não tivesse (por isso simulado) e olha que eu “apaguei” a corda de cima e subi a parede como se estivesse guiando a via de verdade! Caracas!!! Muito mais difícil, muito mais complicado. Eu não achava direito as agarras, meu cérebro começava a querer sair do corpo, haha sei lá. Só sei que foi um dos momentos mais loucos da minha vida. Quem sabe daqui algum tempo eu esteja guiando vias e isso se torne a coisa mais comum do mundo (ou não), mas naquele momento foi incrível! Vibrei!

Bom, depois disso, fomos desmontando as coisas, guardando os equipos e preparando as mochilas pra volta. Rolou uma conversa no final, foi bom ver e ouvir alguns feedbacks e sentir como foi a atividade, tanto para os guias como pra nós. Acho que estava estampado no rosto de cada um. Descemos a trilha, pegamos os carros, alguns já foram direto e outros passaram no abrigo. Nos despedimos e voltamos, talvez pensando como vai ser legal o fim de semana no Baú.

Agradeço a cada guia pela competência e disposição (e pelas risadas também, claro, hehe) e agradeço a cada companheiro de curso pelos momentos agradáveis e divertidos que passamos lá em Andradas. Valeu!! Um abraço procêis!

Quem foi: Alunos >> Ayrton, Bia, Zico, Manuel, Rex, Luiz, Marco, Rodrigo, Roswitha, Thiago, Victor, Vinícius. Guias >> Sergio Robles, Wagner, Robson, Eddie, Érick, Milton.

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