Escalando no Fim do Mundo

“Bom, agora a gente já pode receber os certificados…” foi com esta frase infeliz que eu saudei a chegada ao cume do Monte Alvear, 1450m de altitude, o mais alto da região de Ushuaia, a capital da Terra do Fogo, muito ao sul da Argentina, aliás, muito ao sul do planeta.


Felicidade no 10º dia: ascenção do Monte Alvear Eu fui o último a chegar, cansado pra caramba, e é claro que tive que ouvir a famosa estatística que afirma ameaçadoramente que mais de 70% dos acidentes ocorrem na descida das montanhas. “Diploma, só depois que vocês chegarem lá embaixo.” foi o que grunhiu Don Corneto, o nosso instrutor, fundador do curso de escalada em gelo do CAP- Clube Alpino Paulista e cavalo do espírito da Neide, que baixou umas 5 vezes naquelas bandas geladas arrumando todas as barracas e dando um toque bem feminino na nossa turma, 100% masculina. Era exatamente o décimo dia do nosso curso, ou melhor, expedição, como dizia o Cornetto, que queria nos ver vivendo a experiência real de uma expedição, com todas as suas exigências e desafios. Afinal, 10 dias diretos acampados no gelo, num clima bem instável como só o verão da Terra do Fogo proporciona, trazem um monte de dificuldades extras, desde o peso das mochilas, que precisam carregar alimentos e roupas pra todo este tempo, até a falta de um bom banho quente e uma cama de verdade por tanto tempo. Mas, esta já é a história.

Os preparativos e o Cordeiro Fueguino

Depois de passar uma noite em branco no Aeroparque de Buenos Aires, chegamos ainda de manhã em Ushuaia, uma cidadezinha muito especial não só por sua localização entre o Cabo Horn e o Canal de Beagle, cercada por espetaculares cordilheiras nevadas, como também pelas suas casinhas típicas, feitas de telhas industriais que cobrem o teto e são também as paredes. Ushuaia tem um porto bem movimentado, que além de containers traz vários transatlânticos de luxo com milhares de turistas de todas as partes do mundo, loucos para tomar um uísquezinho com gelo de iceberg da Antartica e para conhecer a cidade que inspirou Julio Verne no seu romance O Farol do Fim do Mundo. Caras que além de beber e comer bastante, compram de tudo quando descem de seus shoppings-navios e vão para a shopping-cidade de Ushuaia. Basicamente é só uma rua de comércio, com um nome bem raro na Argentina, San Martín, mas que tem tantas lojas que dá uma média de 1,6 loja por habitante de Ushuaia. Tem de tudo, muita moda, muitas bugigangas, roupas pra esquiar, escalar, o que faz com a pequeña calle se torne um vaivém maluco de capas amarelas pra lá e pra cá, que é o traje oficial dos desembarcados do luxo. E foi nesta correria que nos metemos os sete, pra comprar os últimos itens do curso, como roupas extras e principalmente combustível e comida. Alguns mais afoitos ainda trocaram um pouco de pesos pelas novidades da North Face, um fleece aqui, um polar ali, um gorro acolá. Isto, claro, depois de sermos apresentados às milanesas e ao lomo con pimienta do El Turco, um restaurante no final da San Martín. Não sei se era a fome e a sede, mas os pratos simples estavam uma delícia e foram regados com um inesquecível vinho Elementos Malbec, vermelho como sangue e bom como uma paixão.

A noite, repetimos o Elementos, mas aí foi a vez do La Estancia (adivinhem em que rua?) onde devoramos quantidades industriais do Cordeiro Fueguino, pelo democrático sistema de Tenedor Libre, uma imitação do nosso rodízio, mas como argentino não é de dar tanta moleza, você tem que levantar e ir até o cozinheiro e pedir o que quer. É claro que com a facilidade das línguas irmãs, quando a gente pensava em picanha, voltava com um pedaço de rim, mas até aí era tudo proteína pra sustentar a nossa coluna vertebral que em poucas horas iria ser esmagada com nossas simpáticas mochilas cargueiras.


A partida e o lago verde

Finalmente chegou o dia de colocar o bloco na rua, o pé na estrada, chacoalhar o esqueleto ou como você preferir batizar o dia da partida para a montanha, após saborearmos na pousada umas milanesas com Coca-Cola compradas por mim e pelo Caio no La Anónima, um super supermercado pertinho da nossa pousada. Não nos perguntem por que este nome, deve ser uma versão dos Sem Nome que existem no Brasil, ou algo mais voltado para o povão, sei lá. Só sei que o lugar é bacana, tem quase de tudo, mas as caixas são muito desconfiadas e pedem documento de identidade quando a gente paga com cartão. Aí você pega o documento do companheiro mais perto e tudo bem. Só imagino o que elas pensavam quando eu mostrava o RG do Caio e constatavam a diferença de penteados. Mas o cartão liberava a grana e a gente se mandava feliz pra casa.

Socamos toda a tralha na Van do Roberto, o dono da pousada, que pela cintura generosa deve ser um apreciador frequente do cordeiro patagônico, e fomos pela única estrada de Ushuaia, elo com o norte do país. Paramos no Nunatak, um refúgio de montanha e aí começamos a caminhar. Como era muita coisa, já estava decidido que teríamos que fazer dupla subida, levando metade da carga cada vez. Logo nos primeiros metros, afundamos os pés num charco instável, que por lá eles chamam de Turbal. O que você pensa que é trilha, vira um pequeno córrego que deixa as botas pretas e os pés molhados e friorentos.

Freqüentemente a trilha desaparece e cada um faz o seu caminho, o que dá margem para confusões e desvios errados. Mas, as montanhas já iam ficando mais perto, o branco da neve nos esperando cada vez mais próximo. Depois do brejo, entramos num bosque muito lindo, com as castoreras. O que os castores fazem com as árvores, depois de cortá-las como verdadeiros lenhadores, é incrível. São lagos e lagos represados em diques construídos com uma competência que envergonharia os engenheiros da Linha Amarela do nosso metrô.

Detalhe de um dique construído pelos castores

Quase de noite acampamos na margem do Lago Esmeralda. Depois do primeiro jantar, bem quente, dormimos numa paisagem canadense de folhinha de supermercado de interior, com o lago verde ao centro refletindo uma montanha de cada lado e ao fundo a serra nevada. Começava bem a nossa expedição.




Lago Esmeralda, nosso primeiro acampamento

A subida ao Ojo del Albino . Bis.

No dia seguinte desmontamos o acampamento e seguimos pelo lago, até toparmos com mais um bosque e, logo depois, uma pedraria sem vegetação alguma, que subia íngreme até o começo da neve. Finalmente a neve. Subimos e subimos, tudo duas vezes, até uma plataforma bem ampla, com pequenas piscinas verdes ao centro e uma ainda pequena queda d’agua que vinha tímida do alto das montanhas. Deste ponto alto podíamos avistar o vale e o grande lago que tínhamos circundado. O Corneto e o Sergio continuaram subindo e cerca de uma hora depois nos avisaram que ali mesmo seria o nosso acampamento base e que o Ojo del Albino era ideal para o nosso curso. Montamos o nosso acampamento, escolhemos uma pedraria estratégica para a nossa cozinha e passamos ali, a primeira de nossas sete noites geladas de aprendizado.





Vista do acampamento no Ojo del Albino, com o Sergio meditando

Andar na neve: o crampon assassino.

Tem gente que acha que o crampon serve pra ajudar os alpinistas a subir na vida, mas até você merecer este nome, o que o crampon faz mesmo é cortar a sua calça e/ou polaina na altura do tornozelo. Eu até que fui um dos últimos, mas na segunda simulação de auto recuperação, que você se joga na descida e tem que parar a queda fixando a piqueta na neve, já dei dois talhos. Felizmente não passou da calça, mas me fez lembrar da profecia do Marcelo Belo quanto à compra de sobrecalça: “É melhor comprar baratinho na Decatlon porque vocês vão rasgar…”

Bom, mas nada abalou nosso ânimo e, dia após dia, realizamos a nossa rotina de treinamento, com trabalho duro, muito trabalho.





A subida nossa de todos os dias, do acampamento para o glaciar do Ojo del Albino

Treinamos a escalada em 10 e 12 pontas, ziguezagueando pela montanha, caminhamos encordados até o Ojo del Albino, uma bacia cercada de altas montanhas e com seracs, grandes pedras de gêlo que ali tinham a altura de um sobrado. Eles foram muito úteis para treinarmos a piolet-traction, que é uma das formas mais divertidas de escalar. Você crava os dois pés no gelo, de frente e as duas piquetas técnicas acima de sua cabeça e vai subindo martelando o gelo, que quase sempre aguenta firme. Dá até pra fixar uma das piquetas e colocar ali o seu auto-seguro, que suporta com segurança todo o seu peso.





Praticando o piolet traction no serac do Ojo del Albino

Parece mágica e é divertido quando você está a 15 metros do solo, mas deve ser estressante se você estiver subindo um paredão de dezenas de metros. Aprendemos também a montar paradas com parafusos de gelo e até subimos pequenas paredes negativas., Arfando, mas subimos.


Procura-se gretas perigosas.

No terceiro dia, nossa produção caiu. Caiu mesmo porque iniciamos o dia praticando queda em greta, que é muito perigoso na vida real, mas que no curso é lúdico. Os dois sujeitos que estão encordados a você tem que travar a sua queda, caso você dê a sorte de cair numa fenda escondida na neve, que pode ter vários metros de profundidade. Para treinar esta situação, o Sergio e o Corneto escolheram uma fenda enorme, com uns 15 metros de profundidade. Aí a gente ia andando e, sem aviso prévio despencava no buraco e dane-se quem viesse atrás. Aliás, dane-se quem pulou, porque se os teus companheiros não travarem a queda você pode dar com os burros n’água, neste caso sendo você o burro e a água o gelo duro lá embaixo na fenda.




Tirando o Abdalla da greta

O Abdalla foi escolhido como o primeiro voluntário a cair, o que fez com grande coragem, mas pouca sabedoria. Antes de pular, enrolou nos braços alguns metros de corda, o que fez com que ele caísse solto muito mais tempo do que eu levei para parar a sua queda. Com isso, ele bateu primeiro na parede vertical e, logo depois na neve do fundo da greta. Ainda bem que ele é muito forte, inclusive na cabeça, que é dura como granito, e só ficou um pouco mais tonto do que já é normalmente. Por pouco que não tivemos que fazer o primeiro resgate real de nossas vidas de grandes alpinistas. Este dia foi interrompido pelo mau tempo e, assim que chegamos às barracas, começou a ventar muito forte. Engolimos alguma coisa rápidamente e pelas próximas doze horas enfrentamos, se é que se pode dizer enfrentar quando na realidade se fica dentro da barraca rezando, uma tempestade persistente que rasgou a barraca dos instrutores, molhando todo o seu conteúdo – das barracas, não dos instrutores, que vieram passar a noite nas barracas vizinhas. É verdade que onde dorme um, dormem dois, mas neste caso já estávamos todos dormindo em duplas, e com a formação do trio, o que era pouco confortável passou a ser um aperto total. Não bastando serem muitos num mesmo espaço, estes muitos ainda eram todos homens, o que nos levava a dormir com todo o cuidado, porque qualquer esbarrão podia ser mal compreendido.

Graças a Deus, no outro dia, a tempestade passou e com a barraca consertada, voltamos para a nossa divisão original de pessoas e barracas. E voltamos novamente a mergulhar nas nossas gretas.


Uma escalada de verdade e a vista do Lago Fagnano.

Muitas quedas depois, algumas até incentivadas pelos empurrões didáticos do Corneto, realizamos as simulações de resgates de companheiros. Primeiro, e mais fácil, que é quando o cara que cai está consciente e pode subir de volta sózinho. Depois, quando quem cai quebra uma das pernas fazemos a manobra que se chama pé-corpo e finalmente, a mais trabalhosa que é quando o companheiro além de cair, faz o favor de ficar desacordado, não podendo colaborar em nada no seu resgate.





Esperando ser salvo da greta

Carinhosamente apelidada de “saco de farinha”, a operação de resgate de um corpo sem vida, ou pelo menos sem movimento, é bem penosa, pois tem que ser feito todo um sistema de redução de cargas, usando-se piquetas e até roldanas, na parte de cima da fenda. Para nosso desespero, o escolhido foi o Caio, um dos sacos com mais farinha do grupo, coisa de 90 quilos ou mais. Foi um dos dias mais suados do curso, mas também um dos mais prazeirosos, porque ao fim das quedas subimos pela lateral da montanha mais alta que rodeava o Ojo del Albino e realizamos uma escalada de verdade até uma crista de pedra negra, que ficava logo abaixo de um dos cumes, mas que lá de cima se podia avistar o outro lado das altas montanhas, um grande vale e um bom pedaço do Lago Fagnano. Indescritível o visual e a sensação: havíamos feito a nossa primeira escalada em gelo, usando muitas das técnicas que acabáramos de aprender.




Onde está o Wally? Olhe a foto de novo e descubra a cordada da frente.






De olho na primeira escalada: o Monte Alvear.

Com o fim do nosso treinamento, nos preparamos pra deixar o acampamento base, onde passáramos 7 dias inesquecíveis de nossas vidas. O que era um pequeno fio de água agora havia se tornado uma grande cascata com o degelo da neve provocado pelos dias cada vez mais quentes. As pequenas piscinas verdes onde lavávamos as panelas e nos dias mais quentes tomavamos banho, agora já podiam ser chamados de laguinhos e por todo lado a neve havia baixado bastante.

Quase todos conseguimos reduzir a carga para uma mochila. A mochila ficava mais pesada mas isso evitava o transporte e aquela loucura de ficar indo e voltando. Dei sorte pois não tinha mochila extra e, se na vinda havia trazido cordas e estacas, contei com a ajuda do Caio na descida, que socou muitas coisas nossas em suas duas mochilas e desceu direto com as duas. Só o Sylvio e o Clóvis continuaram com duas mochilas, o que acabou trazendo consequências bem desagradáveis para o Sylvio que acabou se perdendo do resto do grupo. Com o dobro do percurso para fazer e já com o fim do dia chegando, o Sylvio ficou muito para trás e até o começo da noite não havia alcançado o bosque onde iríamos passar a noite. O Caio e o Abdala já haviam saído para tentar achá-lo, mas como ele não chegava, o Corneto, o Sergio e o próprio Abdala, que já havia retornado sem sucesso, foram em sua busca, já no escuro. Como eu fiquei no novo acampamento, sinalizei a entrada da trilha no bosque, colocando minha lanterna num galho a beira de um dos muitos diques de castor. Nem duas horas depois, chegaram todos e, aí resolvemos que o próximo dia seria de descanso, uma vez que até ali tínhamos trabalhado bastante, sempre lidando com as técnicas de escalada ou treinando para sherpas, carregando muitos quilos pra cima e pra baixo. O novo acampamento era bem agradável, protegido por altas árvores, chão de terra com folhinhas macias, e vizinho das castoreras. Dormimos tranquilos, ouvindo o vento passar forte pela copa das árvores, mas sem fazer o menor estrago em nossas barracas. Em homenagem a Terra do Fogo fizemos uma fogueira, o que ajudou a secar nossas roupas, que passaram a ter uma suave fragrância defumada até o fim da escalada do Monte Alvear, que agora passara a ser o nosso próximo e maior objetivo.





Os nobres instrutores, defumando








O primeiro cume gelado ninguém esquece.

Enfim, saímos da tranquilidade do bosque e começamos novamente o transporte para cima, agora em direção ao maior pico da região, o Monte Alvear. Depois de algumas horas pesadas, montamos o acampamento num platô nas pedras, ainda longe da neve mas a meio caminho do cume. A noite foi bem fria e logo cedo acordamos, desmontamos tudo e começamos a subida ao cume, com um céu bem claro. O Corneto e o Sergio nos avisaram que os alunos iam planejar e guiar o ataque. Montamos as cordadas e decidimos os caminhos por onde iríamos. Na primeira cordada foram o Abdalla e o Sylvio, na segunda subiram o Caio, o Corneto e o Clóvis e, na última, eu e o Sergio.


A subida ao Alvear começou com bom tempo

O Abdala e o Sylvio escolheram um corredor de neve muito íngreme pra subir e quando eu cheguei ao mesmo ponto o Corneto já havia mudado a rota, desviando desta subida para um caminho mais longo mas mais suave. Mesmo assim, pegamos um longo trecho bem inclinado que tivemos que subir ancorados na piqueta e com a segurança feita por cima. Neste momento, o clima volúvel da Terra do Fogo mudou bruscamente e uma névoa forte impedia a visão da paisagem. A subida foi rápida demais, pelo menos pra mim, que lutei para não deixar minha cordada muito pra trás. Contei com a paciência do Sergio, que parecia não estar muito chateado com a nossa demora. Quando enfim chegamos à base da última subida, reencontramos a primeira cordada e, todos juntos, caminhamos os 150 metros que nos separavam do ponto mais alto de Ushuaia, a exatos 1450 ms de altura. Enquanto comíamos um pequeno lanche, a névoa arrefeceu um pouco e como se houvesse um acordo pudemos avistar muitos pontos lá de cima e confirmar que a região é ainda muito selvagem e bonita. Era a primeira escalada em gelo de nossas vidas e, foi um clímax para o nosso curso, uma espécie de ritual de passagem para desafios maiores. Um prêmio único para um grupo que havia passado 13 dias juntos, 24 horas por dia e havia convivido em perfeita sintonia, apesar do ambiente difícil e exigente, e das grandes diferenças entre todos nós.












Chegada ao cume do Alvear, já com uma forte neblina





Lanchinho rápido aos 1450ms

Além das técnicas importantes de ascenção em alta montanha, aprendemos a multiplicar nossas forças individuais para criar uma poderosa uniáo de capacidades. Cada um tinha um talento, uma motivação e, agora, todos estávamos unidos pela experiência daqueles momentos excepcionais.


Feios, sujos e esfomeados.

A descida do Alvear foi bem tranqüila. O turbal nos recebeu florido e o tempo bom mostrava com clareza o pico que acábaramos de subir, recortado num céu de brigadeiro.


O turbal com o Alvear ao fundo, o monte mais alto de Ushuaia

Chegamos a Nunatak e, com mais 700 metros de asfalto, alcançamos o Terra Mayor, uma espécie de clube de inverno, com muitas atividades, como o esqui de fundo e passeios de trenó movidos a huskies. Mas, para o nosso bando, o que importava era que ali também se assava o maravilhoso cordeiro fueguino, uma justa recompensa pra quem havia passado os últimos dias experimentando receitas variadas de macarrão.





Feios e sujos, mas com a barriga cheia, depois da primeira refeição confortável em 10 dias.

Foi um banquete digno do fim do mundo. E do fim do curso.


Os caras Fabio “Don Corneto” Cascino Escalador de verdade e fundador do Curso de Gelo do CAP, Don Corneto é um excelente intérprete de canções italianas antigas, da época dele, como Sapore di Mare, Volare e Champagne. Grande professor, também animava nossas noites com altos papos sobre filosofia e temas variados e abrangentes, desde o aquecimento global até a impossibilidade humana frente à imprevisibilidade dos fenômenos naturais na vida moderna.

Sergio Robles Foi com muita paciência que o nosso presidente ensinou várias lições importantes do curso, a mim particularmente. Na maioria das vezes foi encordado comigo, o que deve ter sido um bom teste para o seu espírito zen.

Sylvio Gomes Jr De longe, o mais organizado e bem equipado da turma. Não deixou de tomar banho nenhum dia, o que era uma prática pouco frequente entre o grupo. Sua barraca estava sempre em ordem, mesmo sendo dividida com o Clóvis.

Clóvis Zanettin O doutor do grupo foi responsável pela saúde psíquica do grupo. Como ninguém surtou fora da conta, seu trabalho pode ser considerado muito bom. Também conhecido como Homem do Saco passava muitas horas tirando e colocando coisas de um saco de lixo para outro. Uma obsessão menor, nem chega a ser TOC.

Fernando Abdala Mais um publicitário no time. O mais jovem da turma quase sempre chegava um dia antes da gente nos lugares. Solitário, passava muitas horas trancado em sua barraca individual, fazendo sabe-se lá o quê. Parece que está planejando uma viagem de caiaque pelo litoral brasileiro.

“Caio” Carlos Guilger Conhecido como Caio Paraguaio, porque Caio é nome falso como o uísque de Assunção. Dividiu a barraca comigo e nem percebeu o quanto seu companheiro roncou nestes dias todos. Triatleta, tirou de letra os exercícios mais pesados e pesou bastante na greta, fingindo de morto, como o Rintintin.

Milton Angeli Frequentemente fechava a fila, não por ser o mais experiente, mas por ser o mais cansado. Mesmo assim, tirei várias fotos e ainda consegui fazer anotações para este texto não se transformar em ficção. Nunca passei tanto tempo só com seres masculinos, mas confesso que mesmo assim me diverti bastante.


15 de fevereiro de 2007

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