Saída para Itatiaia do Curso Básico de Montanhismo – 2o semestre

Texto: Cadu


Antes de mais nada devo dizer que, não tenho a mínima idéia de quilometragem, localização de cidades, mal conheço os lugares por onde ando, então, nessas saídas do CBM do CAP tudo, tudo mesmo esta sendo novidade e um grande aprendizado para mim. Estou ouvindo nesse momento a voz do Belo repetir… Anoraque, lanterna, pilha extra… Saímos de SP as 22:00hs, em busca do desconhecido Hotel Fazenda Palmital na estradinha BR-354 no km 11, no carro, eu, James, Emilene e, tinha mais alguém no carro? A Natália, entrou e dormiu, o que veríamos depois ser uma característica dela. A viagem foi tranqüila pela Dutra apesar dos muitos caminhões que de longe pareciam dançar na estrada. Uma última parada para um café e seguimos viagem. A chegada no hotel Palmital foi tranqüila. Chegamos e fomos dormir. No dia seguinte, sábado, tomamos café e partimos rumo ao refúgio Rebouças, que fica dentro do Parque Nacional do Itatiaia. Mais 11km para a garganta de Registro. A partir daqui são 13km de estrada de terra, ou melhor, de pedra, até a portaria do parque. Como estávamos em um Celta 4×4 isso não foi problema. No parque não entra carro, então o Belo entupiu sua TR com as mochilas cargueiras e levou até o refúgio, caminho este que fizemos a pé em 30 ou 40 minutos numa estrada acidentada mas já com o visual de tudo o que seria o fim-de-semana. O refúgio esta até bem cuidado, precisa de melhorias, não tem banho quente, clima seco e muito frio, mas tinha cama para todo mundo e suítes para quem ronca ou para casais. Ficamos 20 minutos, que foi o tempo de pegar a mochila de ataque a seguir pela trilha rumo ao pico das Agulhas Negras, sem antes perceber que por preocupação do Robles que ninguém ficasse perdido o Renato foi salvo, quase foi esquecido trancado no refúgio e nem se quer seu grande amor se deu conta disso, mas pelo estilo do Renato ele sairia pelo telhado.

A trilha até a base é tranquila com uma flora bastante diversificada. O começo da escalaminhada tambem é basica, mas exige muita atenção. Paramos perto da Pedra da Coroa para explicação de localização e orientação, o que foi uma aula primaria de pontos cardeais e meridianos. É engraçado como essas coisas que a gente aprende na escola ainda ficam em nossas cabeças, mas não na de todos. Desse ponto avistamos as Agulhas Negras, as Prateleiras e o Couto.

A via que seguimos para subir foi a Normal, uma grande fenda na montanha de nível difícil e alguns testes psicológicos. Nessa subida não faltaram acontecimentos, Cid um homem desesperado por energia, primeiro vomitou, depois sentiu câimbras no “estomago”, no peito, que se alastrou pelo corpo, mas foi guerreiro e seguiu seu caminho. Na minha frente estavam o Belo, James e Emilene, se não me engano. Eu fiz a via pelos caminhos padrões por assim dizer, me enfiei por buracos e travei por uns minutos na subida de uma rampa com apoio em uma fenda logo abaixo do joelho, mas foi tranqüilo. Espero da próxima vez me “arriscar” como Belo que gosta, de chaminé e tesoura, seguido por James que também gosta de se arriscar. Atras de mim vinham a Fernanda que fez algum comentário sobre bunda, e o resto do grupo.

Três horas depois a chegada ao cume foi eletrizante e emocionante. A 2791,55 metros de altura uma sensação de conquista, de poder pessoal e de ter invocado forças primitivas dentro da gente e superar obstáculos naturais e a força de uma grande montanha. A vista completa essas sensações. Lá de cima da para ver a Represa do Funil, a Serra Fina, a região de Visconde de Mauá, a vasta região do Vale do Paraíba, onde estão localizadas as cidades do eixo mais populoso do Brasil, o eixo Rio-São Paulo, e o Rio Paraíba, do qual origina o nome do vale. Tivemos um almoço no pico acompanhados de um casal carioca e um grupo que chegou depois. Enquanto isso, Abdalla com sua magia de desaparecer e aparecer na sua frente, tanto nas trilhas como nas escaladas, apareceu no cume que chamam cume verdadeiro onde esta o livro de assinaturas de quem chegou lá. Ninguém do grupo se arriscou sem corda, mas o Abdalla é o Abdalla, dessa vez na versão sem barba.

Todos satisfeitos, é hora de descer. Pegamos a via Pontão Ricardo Gonçalves e de cara um lance de salto ou desescalar. O Belo pulou, um salto que eu diria perfeito para não torcer o pé, fiquei na dúvida de novo, mas a Paula me deu uma força, disse que se eu estivesse com duvida era melhor desescalar. Aceitei seu conselho e não pulei, desci sem maiores problemas. Ela e o Renato também pularam e o resto desescalou. A descida daqui para frente foi tranqüila mas exigindo muita atenção e força. Chico, com sua aparência de galã de novela, cabelos esvoaçantes, cigarros e iPod (isso nas horas vagas) fez toda a descida com os dois joelhos arrebentados o que lhe rendeu algumas brincadeiras de escorregador, assim como o Cid fez o teste de durabilidade de suas calças nessa “brincadeira”.

Nesse ponto o Abdalla montou um rapel o que animou a Cris a pegar no ponto mais curto do seu auto-seguro, conseqüentemente o Abdalla ficou muito feliz e com olhar de esperança. Vale lembrar que o Abdalla questionou o porquê a Cris queria pegar seu auto-seguro, a Cris respondeu com um gargalhada o que não deixa de ser um convite ao prazer. Depois desse ponto guiamos pela trilha encontrando facilmente o restante do grupo.

A chegada no refúgio foi reconfortante, banho geladíssimo, baby wipes para os covardes e claro, janta!!! Que começou a ser feita porque a Fernanda me parece nervosa quando fica com fome. O jantar merecia um relato a parte, começando pelo jantar antropofágico do Belo e do Abdalla, Mezcal com verme, Taco, vinho, chocolate, coca-cola, biscoito com geléia de pimenta, já a Cris preferiu Cup Noodles assim como o Cid, que aproveitou tambem um molho de salsicha. Eu, James e Emilene preferimos sopa de cebola de entrada, miojo, vinho e chá silvestre. Renato e Fernanda risoto, macarrão com salsicha, cada pratada que da gosto. O Chico não levou comida e também não aceitou comida de ninguém e acabou com alguns lanches do Cid. A Natália e Robles comeram macarrão, papinha de criança (Natália), sopa, vinho e mezcal e a Paula acho que comeu e bebeu de tudo também. Uma festa, muita gargalhada e muitas histórias e tiração de sarro tudo orquestrado pelo Belo que dorme falando e acorda falando.

Fomos dormir as 8:30 acho. Colocaram o Chico para roncar em uma suíte, mas não adiantou porque o Robles também suspira. A Paula subiu no beliche de joelhos porque ela deu uma torcida no pé lá naquele lance que segui seu conselho e não pulei, valeu Paula. Pela manha… um mosquetão para quem adivinhar de quem é a primeira voz a ecoar no refúgio… Todos acordaram, meio perdidos ou zonzos de tanto dormir. O James sugeriu uma turma da tarde para não ter que acordar cedo. O café foi tranquilo, muito frio e névoa, e lá fomos nós de novo para a trilha, dessa vez rumo as Prateleiras. A subida até a base é tranqüila, mas uma surpresa, na base da montanha a chuva começou e a escalada teve que ser cancelada. Uma frustração. Retornamos ao refúgio e arrumamos as mochilas. Combinamos de comer truta na beira da estrada.

A chegada nos carros tambem foi uma surpresa, o carro do Cid precisou de uma chupeta o que os mais experientes nao hesitaram em fazer, já o carro do James estava com um pneu furado que não foi problema para Mr. Abdalla. Tudo certo fomos embora, o Belo passou por nos e explicou o caminho das trutas, minutos depois o carro do Belo volta, para do nosso lado e com a velha perocupação do Robles perguntam sobre a Natália, que estava no banco de trás dormindo nas mochilas e não foi vista. Agora sim, tudo certo, podemos ir almoçar.

Fomos os últimos a achegar no restaurante, já tinha rolado algumas caipirinhas e cervejas. Fizemos o pedido e em meio ao almoço relembramos os acontecimentos e demos muita risada com as palhaçadas do Belo, duas delas: – Nos ensinar a limpar a bunda so com um picote (quadrado) do papel higiênico; – Perguntar para o garçom se o café de coador era mais forte (essa completada pela Emilene, dizendo que quem sabia era a mãe do rapaz)- sem comentário.

Nos despedimos e seguimos viagem de volta para SP, agora ansiosos com a saida para a Pedra do Baú e outra para não ficar devendo, voltar às Prateleiras.

27 de setembro de 2006

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